Plataforma integrada de inteligência territorial — censo social, mapeamento de agentes, análise sistêmica e projetos
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20 anos de ocupação intencional que devolveram vida ao território
Antes da chegada de moradores fixos, o espaço era uma fazenda de cocos abandonada, com fauna e flora devassadas. As primeiras casas foram construídas há pouco menos de 20 anos e, durante esses anos de ocupação, toda a área foi intencionalmente reflorestada pela comunidade.
Um dos únicos lugares no mundo onde a ocupação humana moderna trouxe regeneração, e não degradação. Onde a Água, o Solo, a Fauna e a Flora não são apenas respeitadas — são celebradas.
79 respondentes adultos · dados de saúde, educação, habitação, trabalho, ambiente e bem-estar
O NPS de 48 e a qualidade de vida média de 7,9 — com mediana 10 em recomendação — indicam que a grande maioria dos moradores está profundamente satisfeita com o território. A natureza preservada (93% citaram como motivo de escolha), a cultura regenerativa e a vida em comunidade são os pilares desta satisfação. Piracanga oferece um nível de bem-estar percebido acima da média nacional.
A comunidade tem 35% de pós-graduados e índice de inclusão digital médio de 8,6/10, com 63% usando inteligência artificial. Somado ao portfólio diverso de talentos — gestão (45), artes (39), terapias (31) e tecnologia (22) — Piracanga reúne um capital humano com potencial produtivo significativo. Esse ativo é um diferencial estratégico para projetos comunitários e geração de renda local.
99% reciclam e 97% compostam — taxas excepcionais que refletem a identidade regenerativa do território. 74% sabem que Piracanga está na Mata Atlântica e conhecem a APA. As prioridades ambientais mais citadas são o cuidado com as águas, a gestão de resíduos sólidos e a resistência à chegada de energia elétrica de rede. 75% reconhecem o bioma Mata Atlântica e a APA. O compromisso ambiental é estrutural, não apenas declaratório.
54% da renda depende do turismo, criando forte sazonalidade. Renda insuficiente e custo de vida lideram os motivos para possível saída do território. 57% pensam em sair ou não sabem — um sinal de alerta relevante. A nota média de dificuldade financeira é 3,6/10, concentrada em faixas intermediárias, o que indica pressão econômica real mesmo entre quem tem reservas (58%). Diversificar a base econômica é urgente.
O senso de comunidade é avaliado em 6,7/10 e o convívio harmonioso em 7,1/10 — sólidos, mas com espaço para crescimento. 61% fazem voluntariado e outros 30% gostariam de começar. A confiança na A.Mor é de 67% e 62% sentem que têm voz nas decisões — sinais positivos, mas que revelam que ainda 1 em cada 3 moradores não se sente representado ou participante. Fortalecer os mecanismos de escuta e tomada de decisão coletiva é uma prioridade de governança.
Apenas 28% dos moradores são proprietários residentes (22 de 79). A maioria — 57 pessoas (72%) — mora sem ter propriedade, em condição de aluguel ou cessão. Dos 80 proprietários totais, apenas 22 residem no território. Essa assimetria gera tensões sobre participação nas decisões, estabilidade de vínculo e especulação imobiliária — citada pelos moradores como uma das principais ameaças ao modo de vida de Piracanga. A estrutura fundiária é um nó crítico para a coesão comunitária a longo prazo.
7 camadas geoespaciais — edificações, uso do solo, bacia hidrográfica, APA, curvas de nível, propriedades CEFIR
20 tipos de agentes · 45 organizações e grupos de trabalho · projetos e impactos 2025
| Projeto ⇅ | Status ⇅ | Responsável ⇅ | Impacto ⇅ |
|---|---|---|---|
| Assembleias Comunitárias | ● Ativo | GT Governança | 4 edições em 2025 — momento mensal de conexão, informação e escuta com a vila |
| Autonomia Energética | ◐ Em andamento | GT Energia Boa | Abaixo-assinado de conservação da autonomia energética para protocolar junto à Coelba e Poder Público |
| Calculadora Pegada Hidrológica | ◐ Em andamento | Instituto Somos Água | |
| Catálogo de Empreendedores | ◐ Em andamento | GT Empreendedores | Mapeamento e divulgação dos empreendedores de Piracanga |
| Censo Sócio-Econômico | ✓ Concluído | GT Dados · A.MOR · Fundação BioMAS | 116 respostas válidas coletadas em Piracanga e Caubi (dez/2025) |
| Certificação de Cuidado com as Águas | ✓ Concluído | Instituto Somos Água | Zerou coliformes fecais em 2025 |
| Educação Ambiental | ● Ativo | Escola da Natureza | |
| Equidade Racial | ● Ativo | GT Equidade Racial | 2º Fórum de Equidade Racial de Piracanga · apoio R$2.016 |
| Escola Almar | ● Ativo | Escola Almar | Apoio financeiro da A.MOR: R$4.155,37 (5% do faturamento por edição) |
| Feira da Vila | ● Ativo | GT Feira · GT Empreendedores | 15 edições (set–dez/25) · 34 empreendedores · R$23.809,20 faturamento total |
| GT Agrofloresta — Mutirões | ● Ativo | GT Agrofloresta | 15 mutirões · ~75 pessoas · podas, canteiros e planejamento de espécies |
| Instituto Somos Água | ● Ativo | Instituto Somos Água (incubado A.MOR) | Zerou coliformes fecais em 2025 · parceria com Prefeitura de Maraú · apoio R$3.622,16 |
| Integração de Novos Moradores | ● Ativo | GT Novos Moradores | Encontros mensais · cartilha de boas-vindas · semana introdutória à Piracanga |
| Placas de Acordos | ✓ Concluído | GT Governança | 5 placas instaladas na vila — comunicação visual dos acordos de convivência |
| Projeto Praia Limpa e EcoPonto | ● Ativo | Projeto Praia Limpa (incubado A.MOR) | ~2t resíduos recolhidas · expedições no Rio de Contas · proposta aprovada pela APA · apoio R$766 |
| Reflorestamento | ● Ativo | Escola da Natureza | |
| RPPN | ◐ Em andamento | Instituto Inkiri | |
| Taxa Sócio Ambiental | ● Ativo | A.MOR | Financiamento de projetos de regeneração — 95% das saídas destinados a projetos socioambientais |
| Viveiro de mudas nativas | ◐ Em andamento | Escola da Natureza |
| Agente | Poder | Vulnerabilidade | Contexto |
|---|---|---|---|
| Moradores não proprietários | Médio | Alto | |
| Moradores proprietários | Alto | Médio | |
| Proprietários não moradores | Alto | Baixo | |
| Trabalhadores do turismo | Médio | Alto | |
| Profissionais remotos | Médio | Baixo | |
| Governança comunitária (A.MOR) | Médio | Alto | |
| Projetos e instituições locais | Médio | Médio | |
| Turistas e visitantes | Médio | Baixo | |
| Proprietários rurais da bacia | Alto | Baixo | |
| Governo (municipal/estadual/federal) | Alto | Baixo | |
| Organizações de ensino e pesquisa | Médio | Baixo | |
| Organizações externas / BIOMAS | Médio | Médio | |
| Trabalhadores do Caubi | Baixo | Alto | |
| Crianças e jovens | Baixo | Médio | |
| BIOMAS – Plataforma de dados | Baixo (crescente) | Alto |
Seis perfis qualitativos construídos a partir dos dados do Censo 2025 e do Mapeamento de Agentes do Sistema. Cada persona representa um arquétipo real — com padrões distintos de comportamento, motivação e relação com o território.
| Persona | Ecologia | Economia | Comunidade | Governança | Permanência |
|---|---|---|---|---|---|
| O Construtor de Comunidade | |||||
| O Buscador Regenerativo | |||||
| O Trabalhador do Turismo | |||||
| O Profissional Remoto | |||||
| A Raiz Ameaçada | |||||
| O Dono Distante |
Tensões sistêmicas · Pontos de alavancagem (Donella Meadows) · Lacunas de dados
18 lacunas de dados identificadas · Prioridade: A = Alta · M = Média · B = Baixa
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Dimensão mais favorável de Maraú: risco 5,14 vs. média baiana de 44,34 — quartil BAIXO nacional. Piracanga está em um território de integridade florestal rara. Mas o censo adiciona uma camada crítica: essa qualidade ecológica está gerando especulação imobiliária — o "Paradoxo da Atração Comunitária" — que o KYT não consegue ver.
Maior tensão no perfil KYT: oportunidade climática muito acima da média baiana (29,05 vs. 14,23) — o maior destaque estadual em qualquer dimensão — mas risco climático ALTO (51,18 vs. 48,92). Vantagem competitiva real para finanças climáticas, combinada com exposição concreta a erosão em encostas e eventos hidrológicos relevantes para a bacia do Rio Piracanga.
Maraú ligeiramente acima da média baiana (22,73 vs. 20,56). Mas o censo revela uma divergência expressiva: a população residente de Piracanga opera um modelo econômico fundamentalmente diferente — renda média R$5.657/mês (4× o PIB per capita municipal de R$16.520/ano) — ainda assim, moradores estão sendo deslocados pela inflação imobiliária, não por baixa renda. O KYT não captura esse "Paradoxo de Renda".
Dimensão mais complexa de interpretar. KYT aponta risco social ALTO para Maraú — mas o censo mostra que Piracanga diverge fortemente da média municipal em quase todos os indicadores. Mas o censo revela vulnerabilidades que o KYT não enxerga: NPS 48 (zona neutra), 34% com pouco senso de pertencimento, gap racial de renda, e 72% de não-proprietários — o risco social em Piracanga é estrutural e interno, não imposto externamente.
Indicador mais crítico: 7,75% de esgoto — entre os piores da Bahia — cria risco direto de contaminação do Rio Piracanga. Combinado com zero bancos públicos, o déficit de infraestrutura é severo. Mas o desafio de governança de Piracanga não é ausência de instituições — é fragmentação: 42 organizações, 110+ proprietários, nenhum órgão de decisão coletiva.
Risco de segurança ALTO acima da média baiana (4,08 vs. 3,36). Para Piracanga, o indicador mais relevante são os conflitos fundiários e hídricos — confirmados e amplificados pelo censo. O censo adiciona um ponto cego de segurança que o KYT não vê: conflito interno de governança entre 42 organizações e 110+ proprietários, com interesses concorrentes e sem órgão deliberativo coletivo.